A Guarda Nacional Republicana (GNR), através do Serviço de Proteção da Natureza e do Ambiente (SEPNA) de Felgueiras, resgatou, no dia 14 de setembro, no concelho de Lousada, uma raposa (Vulpes vulpes) que se encontrava presa na varanda de uma residência térrea, um resgate que resultou de uma chamada telefónica de um cidadão que informou as autoridades de que o animal estava retido no local, e que levou os elementos do SEPNA a deslocarem-se ao local, onde verificaram que a raposa estava assustada e muito violenta, um comportamento normal num animal selvagem que se sente encurralado e ameaçado, e que exigiu uma intervenção cuidadosa para evitar ferir o animal ou colocar em risco os próprios agentes e os residentes.
No decurso da ação, apurou-se que a raposa tinha saltado para o interior da varanda à procura de alimento, de onde não conseguiu escapar, uma situação que é relativamente comum em zonas rurais e semi-rurais, onde as raposas, atraídas por restos de comida, por fruta caída das árvores ou por outros alimentos facilmente acessíveis, se aproximam das habitações humanas e, por vezes, ficam presas em varandas, pátios, garagens ou outros espaços fechados, sem conseguirem encontrar a saída. A raposa foi devolvida ao seu habitat natural, depois de se verificar que não apresentava quaisquer ferimentos, um desfecho positivo que mostra que a intervenção foi rápida e eficaz, e que o animal não sofreu danos físicos durante o resgate ou durante o tempo em que esteve preso.
A ação contou com o apoio do Centro de Recolha Oficial de Animais de Lousada, uma entidade que tem como missão recolher, tratar e, sempre que possível, devolver à natureza animais selvagens ou domésticos que se encontram em situação de risco, e que, neste caso, terá auxiliado a GNR na contenção e no transporte da raposa, garantindo que o animal era manuseado de forma segura e que era libertado num local adequado, longe de zonas habitadas e de tráfego rodoviário, onde pudesse retomar a sua vida selvagem sem riscos imediatos.
A GNR, através do SEPNA, tem como preocupação diária a proteção ambiental e dos animais, uma missão que vai muito além da fiscalização de crimes ambientais, como a caça furtiva, a poluição ou o abate ilegal de árvores, e que inclui também o resgate de animais em perigo, a sensibilização das populações para a coexistência com a fauna selvagem, e a cooperação com centros de recolha, associações de proteção animal e outras entidades que trabalham na defesa do património natural e animal. Para facilitar a denúncia de infrações ou o esclarecimento de dúvidas, a GNR disponibiliza a Linha SOS Ambiente e Território (808 200 520), que funciona em permanência e que permite aos cidadãos reportar situações de risco para o ambiente ou para os animais, como animais presos, feridos ou em perigo, poluição de rios ou linhas de água, descargas ilegais de resíduos, ou outras ocorrências que careçam de intervenção das autoridades.
O caso da raposa em Lousada é um exemplo de como a presença do SEPNA e a colaboração dos cidadãos podem resultar em resgates bem-sucedidos, que permitem salvar animais selvagens que, de outra forma, poderiam morrer de fome, de sede, de ferimentos ou atropelados ao tentar escapar, e que contribuem para a preservação da biodiversidade e para a manutenção do equilíbrio ecológico nas zonas rurais e semi-rurais, onde as raposas, embora por vezes vistas como pragas ou como animais perigosos, têm um papel importante no controlo de populações de roedores e de outros pequenos animais, e são um indicador de um ecossistema saudável e diversificado.
