Quatro polícias detidos na Venezuela após alegados furtos em escombros de sismos que já fizeram 1.943 mortos


Quatro agentes do Corpo de Investigações Científicas, Penais e Criminais (CICPC) da Venezuela foram detidos e expulsos da corporação por alegadamente se terem apropriado de dinheiro e outros bens encontrados entre os escombros deixados pelos sismos que atingiram o estado de La Guaira, o mais afetado pela tragédia recente.

O caso, que está a gerar forte indignação pública, envolve agentes acusados de terem desviado valores durante operações de busca, salvamento e assistência humanitária, numa altura em que a devastação provocada pelos terramotos continua a marcar o país.

O diretor do CICPC, Douglas Rico, afirmou que os elementos em causa “desrespeitaram os seus deveres” ao aproveitarem as operações de emergência para se apropriarem de bens encontrados nos destroços. Segundo o responsável, os agentes “atuaram de forma indecorosa ao apropriar-se de valores económicos”.

As autoridades venezuelanas confirmaram que os quatro polícias foram afastados da instituição e serão presentes a tribunal. O ministro do Interior, Diosdado Cabello, condenou publicamente a atuação dos agentes, classificando os alegados atos como “impúdicos, indecentes e imorais”, garantindo uma resposta firme por parte da justiça.

O caso ganhou grande repercussão após a divulgação de vídeos nas redes sociais, onde populares confrontam um dos suspeitos e o acusam de se apropriar de dinheiro encontrado entre os escombros.

Em paralelo, o partido da oposição Primero Justicia acusou elementos ligados ao poder de se aproveitarem da tragédia para benefício próprio, afirmando que alguns funcionários estariam a explorar os escombros em busca de ganhos pessoais.

Os sismos, com magnitudes de 7,2 e 7,5 na escala de Richter, deixaram um rasto de destruição significativo no norte da Venezuela. O balanço mais recente aponta para 1.943 mortos e mais de 10.500 feridos, segundo dados das autoridades, num dos desastres naturais mais graves da história recente do país. As operações de busca e salvamento continuam, enquanto milhares de pessoas permanecem desalojadas e dependentes de ajuda humanitária.

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