PJ desmantela rede de tráfico internacional de cocaína no Aeroporto de Lisboa


A Polícia Judiciária (PJ), em colaboração com a Autoridade Tributária, desmantelou uma rede de tráfico internacional de estupefacientes que operava através do Aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, no âmbito de uma investigação relacionada com a introdução de cocaína em território nacional.

A investigação teve início na sequência de uma ação de fiscalização realizada em março de 2025 a uma bagagem proveniente de um país africano. No interior da mala, entre produtos alimentares africanos, foram encontrados cerca de 1.648 gramas de cocaína, cuja comercialização no mercado ilícito poderia render várias dezenas de milhares de euros.

O estupefaciente não foi reclamado pelo passageiro titular da bagagem, tendo vindo a ser posteriormente levantado por outra pessoa. Esta acabou por ser detida em flagrante delito no momento em que tentou recolher a mala em nome do verdadeiro passageiro, ficando sujeita à medida de coação de prisão preventiva. Segundo a PJ, este método evidencia o recurso sistemático a intermediários para o transporte e recolha de droga, uma prática comum nas redes de tráfico internacional.

No decurso da investigação, foi identificado o principal responsável pela operação, que coordenava toda a atividade à distância através de aplicações de comunicações encriptadas, emitindo instruções detalhadas sobre a recolha da bagagem e os locais de espera. O suspeito foi detido no concelho de Sintra, na posse de produto estupefaciente, na sequência da emissão de dois mandados de detenção fora de flagrante delito e de três mandados de busca domiciliária.

Paralelamente, o passageiro em nome do qual a bagagem tinha sido despachada foi localizado e detido na região do Algarve, alargando a dimensão da operação policial. A PJ apurou ainda a existência de elevados montantes financeiros em contas bancárias associadas ao principal suspeito, sem correspondência com rendimentos lícitos conhecidos.

De acordo com a Polícia Judiciária, o suspeito principal já tinha antecedentes criminais, incluindo detenções anteriores por posse de produto estupefaciente, uma arma branca de grandes dimensões e botijas de óxido nitroso.

A PJ considera que o caso se insere num contexto de criminalidade altamente organizada, caracterizado por um elevado grau de planeamento, compartimentação de funções e utilização de métodos destinados a dificultar a ação das autoridades. Estas redes recorrem de forma reiterada a terceiros para a execução das tarefas de maior risco, como o transporte, recolha ou entrega de droga, procurando afastar os responsáveis do contacto direto com o estupefaciente.

Esses intermediários, conhecidos como “mulas”, são frequentemente pessoas em situação de vulnerabilidade económica ou social, aliciadas com promessas de ganhos rápidos. Apesar de, na maioria dos casos, terem consciência da gravidade do crime, assumem os maiores riscos e a exposição penal mais imediata, sendo facilmente substituíveis pelas organizações criminosas.

Os detidos serão presentes a primeiro interrogatório judicial para aplicação das respetivas medidas de coação. A investigação prossegue.

A Polícia Judiciária alerta que o recurso a “mulas” é uma prática recorrente no tráfico internacional de droga e aconselha os cidadãos a recusarem qualquer pedido para transportar, guardar ou levantar bagagens, encomendas ou bens em nome de terceiros, sobretudo quando associados a compensações financeiras ou instruções pouco claras, lembrando que a aceitação destes pedidos pode ter consequências criminais graves.

0