José Sócrates informou o tribunal de que já escolheu a nova advogada que assumirá a sua defesa no âmbito da Operação Marquês, adiantando que será solicitado um prazo de cinco meses para a análise do processo, tendo em conta a sua dimensão e complexidade.
Num requerimento datado de 8 de fevereiro, o antigo primeiro-ministro identifica Sara Leitão Moreira como a nova mandatária. No documento, Sócrates refere que a advogada, que exerce em prática individual e é especializada em Direito Penal, irá requerer um prazo alargado para preparar a defesa, considerando esse pedido legítimo face ao volume dos autos.
No mesmo requerimento, o ex-chefe do Governo invoca a Convenção Europeia dos Direitos Humanos, sublinhando que deve dispor de tempo adequado para a preparação da sua defesa. José Sócrates critica ainda a forma como, segundo afirma, o tribunal tem encarado os sucessivos pedidos de alargamento de prazos, rejeitando que estes constituam manobras dilatórias e defendendo que essa leitura “nem é verdadeira, nem justa”.
A mudança de defesa surge após a renúncia do anterior advogado, José Preto, que abandonou o processo depois de a juíza Susana Seca ter recusado suspender o julgamento para permitir a sua recuperação total de uma pneumonia. José Preto havia solicitado cinco meses e meio para consultar o processo, mas o tribunal concedeu apenas um prazo de 10 dias.
Sara Leitão Moreira deverá comparecer em tribunal esta terça-feira, data em que será definido o prazo concreto que lhe será atribuído para analisar os autos. À semelhança do que sucedeu com o seu antecessor, a nova advogada tenciona pedir cinco meses para estudar o processo.
No requerimento, José Sócrates recorda ainda que esta é já a quarta equipa de defesa que constitui no âmbito da Operação Marquês, após a morte de João Araújo e as renúncias de Pedro Delille e de José Preto.
Entre a saída de José Preto e a escolha da nova advogada, o antigo primeiro-ministro esteve representado por uma defensora oficiosa, Ana Velho, que acabou por abdicar de consultar o processo e cuja representação foi sempre recusada por José Sócrates.

