Lavandaria em Braga servia de fachada a rede de tráfico de droga


O Ministério Público de Braga acusou 10 pessoas de integrarem uma rede de tráfico de droga que operava nos concelhos de Braga e Barcelos desde, pelo menos, o início de 2024. Seis dos arguidos encontram-se em prisão preventiva.

Segundo a acusação, Rafael C., alegado líder da organização, coordenava o abastecimento e a distribuição de haxixe, cannabis, cocaína e MDMA. Parte significativa das operações era realizada numa lavandaria de que é sócio, localizada na freguesia da Lage, em Vila Verde, utilizada como ponto de venda e armazenamento das drogas.

A residência de Rafael C., na Travessa de Espinde, em Braga, funcionava como centro da rede. Diversos compradores deslocavam-se ao local, permanecendo apenas por curtos períodos e saindo com a droga escondida na roupa. A habitação estava equipada com câmaras de videovigilância na fachada e lateral para controlar os movimentos exteriores.

Cada colaborador tinha funções específicas, como transporte, guarda, corte, pesagem, embalamento e venda direta ao consumidor. Algumas residências em Barcelos funcionavam como “casas de recuo” para armazenamento da droga antes da distribuição.

A comunicação entre os arguidos era feita sobretudo através da plataforma encriptada TeleGuard, utilizando códigos próprios para manter o anonimato. As entregas eram realizadas em diferentes locais previamente combinados, incluindo zonas residenciais, parques de estacionamento e estabelecimentos comerciais.

Rafael C. já tinha sido condenado anteriormente por tráfico de estupefacientes e cumpria pena em regime de vigilância eletrónica com autorização para trabalhar.

O processo segue agora para julgamento, no DIAP de Famalicão, para apurar a responsabilidade criminal de todos os envolvidos.

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