Francisco Marques fala em “perseguição” e garante que vai manter atividade religiosa em Oiã (C/ vídeo)


Francisco Marques reagiu de forma contundente ao comunicado divulgado pela Diocese de Aveiro, que o acusa de não ter legitimidade para exercer funções sacerdotais no território diocesano. Em declarações à TVC, o residente em Oiã rejeita todas as acusações, afirma que não pertence à jurisdição da Igreja de Roma e garante que vai continuar a exercer a sua atividade religiosa, nomeadamente em espaço privado.

Na entrevista concedida à TVC, Francisco Marques começou por sublinhar que nunca afirmou integrar a Diocese de Aveiro nem estar sob a autoridade do bispo local. “Eu não pertenço à diocese nem à jurisdição de Roma. Isso é público e sempre foi assumido”, declarou, acrescentando que integra uma prelatura que diz ser independente, com jurisdição própria e legalmente registada no estrangeiro, nomeadamente em Itália.

O próprio sustenta que exerce o seu ministério ao abrigo da liberdade religiosa prevista na Constituição da República Portuguesa, frisando que Portugal é um Estado laico e democrático. “O senhor bispo não é um ditador e não manda em minha casa. Se eu quiser celebrar um ritual religioso em espaço privado, ninguém me pode impedir”, afirmou, reforçando que as pessoas que o procuram o fazem de forma livre e consciente.

Francisco Marques considera que o comunicado da Diocese de Aveiro representa uma perseguição pessoal, alegando que esta situação se arrasta há vários anos. Durante a entrevista, afirmou ter tido proximidade com o Papa Francisco, assegurando que foi por ele recebido no Vaticano, onde terá vivido e estudado, e que essa ligação terá estado na origem de conflitos com responsáveis da Igreja local. Segundo o próprio, essa alegada proteção cessou apenas agora, o que explicaria, na sua perspetiva, a divulgação do comunicado neste momento.

O residente em Oiã rejeita igualmente a ideia de que esteja a enganar fiéis ou a apresentar-se como sacerdote da Igreja Católica Romana. Defende que pertence a uma estrutura religiosa que considera válida e legítima, com sucessão apostólica própria e regras distintas do direito canónico romano. “Para eles pode ser ilegítimo, para nós não é. Temos o nosso próprio código e a nossa própria jurisdição”, afirmou.

Francisco Marques garante ainda que continuará a receber pessoas na sua casa e a realizar celebrações religiosas, assegurando que a polémica apenas tem contribuído para aumentar a procura pela sua atividade. Segundo diz, muitas das pessoas que o procuram sentem não encontrar apoio espiritual noutros contextos e veem na sua ação uma resposta às suas necessidades.

Só depois desta reação pública surge o enquadramento do comunicado da Diocese de Aveiro, já noticiado anteriormente, no qual a estrutura diocesana esclarece que Francisco Marques não foi ordenado sacerdote da Igreja Católica, não está em comunhão com a diocese e não possui faculdades para administrar sacramentos no seu território. A diocese apela ainda aos fiéis para que não recebam quaisquer sacramentos por ele ministrados e determinou que o comunicado seja dado a conhecer em todas as paróquias.

A situação continua a gerar controvérsia no concelho de Oliveira do Bairro e deverá ter novos desenvolvimentos, tendo Francisco Marques garantido que irá recorrer aos meios legais que considera adequados para defender a sua posição.

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