A Polícia Judiciária, através da Unidade de Cooperação Internacional, concretizou a extradição de um cidadão estrangeiro para Moçambique, após este ter sido detido pela Unidade de Informação Criminal da PJ, no passado dia 3 de dezembro.
O homem era procurado pelas autoridades moçambicanas por alegado envolvimento em crimes de associação criminosa, branqueamento de capitais, falsificação de documentos e abuso de confiança, praticados entre 2008 e 2023.
Após a detenção, em 2025, o suspeito foi presente ao Tribunal da Relação de Lisboa, que determinou a sua permanência no estabelecimento prisional da PJ, em Lisboa, onde aguardou a conclusão do processo de extradição.
De acordo com informação anteriormente divulgada pela Polícia Judiciária, o detido, de 51 anos, estaria envolvido em criminalidade altamente organizada. No exercício de funções como diretor de uma empresa, entre 2019 e 2023, terá ordenado a transferência de cerca de 140 milhões de dólares para países como Ilhas Maurício, Emirados Árabes Unidos, China, Japão e Portugal, alegadamente para a importação de mercadorias que nunca chegaram a ser desalfandegadas em território moçambicano.
Segundo a investigação, com o apoio de despachantes aduaneiros, terão sido falsificados documentos de desalfandegamento, posteriormente utilizados junto de instituições bancárias para justificar as transferências internacionais.
Parte significativa do dinheiro terá tido origem em transferências e depósitos efetuados por familiares do suspeito, também associados a práticas de tráfico de droga e branqueamento de capitais.
As autoridades acreditam que as empresas envolvidas terão sido criadas com o objetivo de ocultar e dissimular a origem ilícita dos rendimentos, sobretudo provenientes do tráfico de droga.
Pelos factos em causa, o suspeito poderá vir a ser condenado a uma pena de até 16 anos de prisão em Moçambique.
