Águeda recebeu esta sexta-feira a visita do secretário de Estado do Ambiente, que se deslocou ao concelho para observar no terreno o sistema de drenagem e proteção contra cheias implementado na margem direita do Rio Águeda, solução que permitiu manter a baixa da cidade funcional durante os recentes períodos de precipitação intensa e sucessivas tempestades que afetaram o território nacional.
Na reunião realizada nos Paços do Concelho, o presidente da Câmara Municipal de Águeda, Jorge Almeida, sublinhou o caráter excecional do atual ciclo de chuva, afirmando não haver memória recente de um período com tanta água acumulada. O autarca explicou que, sendo Águeda o maior concelho em área do distrito de Aveiro e atravessado por várias linhas de água, existem estradas localizadas em zonas de várzea que permanecem encerradas há semanas, provocando constrangimentos às populações, apesar da existência de alternativas de circulação.
Jorge Almeida confirmou a existência de prejuízos, destacando a queda de uma ponte na zona de Aguieira devido ao excesso de caudal e os danos graves registados na ponte do Préstimo, atualmente encerrada. Referiu ainda situações de instabilidade de taludes, incluindo numa via sob responsabilidade da Infraestruturas de Portugal, que a autarquia acompanha de perto por considerar o cenário preocupante.
O sistema de proteção da margem direita esteve no centro da visita. Segundo o presidente, o modelo parte do princípio de que a água “tem de passar”, concentrando a estratégia na defesa da cidade. A solução inclui uma barreira dimensionada para cotas superiores à cheia histórica de 1937, o encerramento de entradas do rio com dispositivos próprios e a instalação de válvulas de maré nas ribeiras e condutas pluviais, impedindo o refluxo da água para o interior urbano.
Para gerir a água da chuva que deixa de poder escoar diretamente para o rio, foram criados grandes reservatórios subterrâneos associados a sistemas de bombagem de elevada capacidade, dotados de redundância energética. Em caso de falha de eletricidade, entram automaticamente em funcionamento geradores próprios, garantindo a continuidade do sistema e o funcionamento pleno da proteção.












O secretário de Estado do Ambiente considerou Águeda um exemplo a seguir, defendendo que outras cidades e vilas devem conhecer e estudar a solução adotada, num contexto em que as alterações climáticas estão a intensificar fenómenos extremos. O governante sublinhou ainda que a prioridade continua a ser a segurança das pessoas, apelando ao cumprimento rigoroso dos avisos das autoridades, e recordou a existência de apoios financeiros simplificados para quem sofreu prejuízos.
O vice-presidente da Câmara Municipal de Águeda, Edson Santos, afirmou que este período representou o verdadeiro “teste do algodão” ao sistema, que respondeu de forma eficaz às condições registadas. Ainda assim, alertou que o risco não está ultrapassado e que a autarquia mantém vigilância permanente face às previsões de nova precipitação intensa.
Também presente, a deputada Paula Cardoso considerou a visita do secretário de Estado relevante para compreender o percurso até à solução encontrada e avaliar a sua eventual replicação noutros concelhos sujeitos a cheias recorrentes.
Jorge Almeida adiantou ainda que estão a ser desenvolvidos projetos para a margem esquerda do rio e para outras zonas críticas do concelho, reconhecendo que a aplicação integral do mesmo modelo exigiria intervenções muito impactantes, mas garantindo que estão a ser estudadas soluções alternativas para reduzir riscos futuros.
No balanço final, responsáveis municipais e da proteção civil consideraram que o sistema de drenagem e bombagem da margem direita foi determinante para evitar a inundação da baixa de Águeda, num dos períodos hidrológicos mais exigentes dos últimos anos.
Fotos: Alexandra Rebelo

