O homem acusado de matar a mulher no ano passado em Porto de Mós, no concelho de Leiria, afirmou, esta quinta-feira, no Tribunal Judicial de Leiria, não se recordar de a ter matado, alegando que ela o teria atacado primeiro. O arguido, de 56 anos, explicou que não tem memória do que aconteceu após um confronto com a vítima, afirmando que, quando se projetou para cima dela, perdeu a consciência até que se apercebeu de estar no chão.
“Quando me projetei para cima dela, a partir desse momento, não me recordo absolutamente nada, até ao momento em que tenho consciência de que estou no chão”, disse o homem ao coletivo de juízes. O acusado também se lembrou de ter telefonado para o 112, dizendo, em tom confuso, que “venham que eu matei a minha mulher”.
O incidente aconteceu na tarde de 25 de maio de 2024, quando o casal se encontrava num anexo de ferramentas da sua residência, em Porto de Mós. O homem alegou que sentiu “um impacto no peito” e, em resposta, retirou uma faca de cozinha. Seguiu-se um “movimento rápido” com outra faca em direção ao pescoço da mulher, o que o levou a tentar defender-se com o que encontrasse, incluindo uma faca.
Quando confrontado com o despacho de acusação, que mencionava que os ferimentos no acusado seriam autoinfligidos, o homem negou, afirmando que “isso é mentira” e garantindo que não se feriu intencionalmente.
A relação entre o casal, que tinha dois filhos maiores de idade, já era marcada por distanciamento, segundo o Ministério Público (MP). O homem, antes do incidente, havia ameaçado suicidar-se caso a mulher se separasse dele, o que ocorreu após uma discussão sobre rumores de uma nova relação que envolvia um outro homem da aldeia.
No dia do crime, movido por ciúmes, o arguido desferiu várias pancadas na cabeça da mulher com uma maceta de ferro, continuando a atacá-la mesmo após ela cair ao chão, já inconsciente. Após garantir que estava morta, o homem ligou para o 112 e, posteriormente, feriu-se com uma faca.
O julgamento do caso prossegue no próximo dia 10, com a audição de mais testemunhas e a análise da gravação da chamada de emergência realizada pelo arguido.